"Naquela noite de Ano Bom, no bairro da Praia de Fora, a casa de William Fison era a mais alegre, a mais iluminada, a mais ruidosa. Ao cabo de seis anos de melancólica viuvez, o velho comerciante britânico tinha afinal casado, e a essa hora jubilosamente festejava as suas segundas núpcias.
O vasto edifício, branco; todo torreado, com um aspecto guerreiro e histórico de antigo castelo feudal, construção saxônia, de uma imaginação medieval, que fora o seu primeiro proprietário, um alemão, outrora militar, que dali se ausentara com uma enorme fortuna e cinco babies louras adoráveis, para a épica Germânia idolatrada, a reluzir sempre, com um prestígio ideal no seu patriótico e saudoso espírito de cidadão e de soldado ? regurgitava de convidados, desde o imenso e rico salão tapetado até à ampla varanda quadrada, abrindo seis góticas e vastas janelas sobre o mar. Ao portão, muito largo, de antigo solar, com ambas as folhas de ferro em ornatos, abertas para trás, agrupavam-se em linha algumas carruagens, com os cocheiros dormitando às boleias, enquanto pessoas curiosas da vizinhança, homens e mulheres, aglomeravam-se, de olhos acesos, jorrando em massa para a escada, cujos degraus de cimento branquejavam à luz, como mármore. Via-se daí, talhado na vasta, artística porta ogival, um recanto feérico do salão, todo constelado de fisionomias límpidas e inefáveis, e toaletes opulentas, que se estadeavam aristocraticamente, como numa corte, em grandes festas imperiais, ao reverbero vivo dos espelhos de Veneza e às chamas amarelas dos lustres de prata. Uma estreita varanda, estilo teutônico colonial, corria a meio do prédio, numa faixa lateral, dando para o grande jardim gradeado, com flores e maciços de folhagens aromando o ar, malhado aqui e ali de claridades lácteas, despejando-se das janelas e portas, como placas de luar. Estava cheia de homens, que cervejavam, de pé, ou estirados sobre cadeiras confortáveis, numa palração animada, entre as folhas finas dos crótons de vasos e balões luminosos de papel, pendendo ao beiral, numa longa enfiada colorida, de um efeito chinês de luas pintadas."
O vasto edifício, branco; todo torreado, com um aspecto guerreiro e histórico de antigo castelo feudal, construção saxônia, de uma imaginação medieval, que fora o seu primeiro proprietário, um alemão, outrora militar, que dali se ausentara com uma enorme fortuna e cinco babies louras adoráveis, para a épica Germânia idolatrada, a reluzir sempre, com um prestígio ideal no seu patriótico e saudoso espírito de cidadão e de soldado ? regurgitava de convidados, desde o imenso e rico salão tapetado até à ampla varanda quadrada, abrindo seis góticas e vastas janelas sobre o mar. Ao portão, muito largo, de antigo solar, com ambas as folhas de ferro em ornatos, abertas para trás, agrupavam-se em linha algumas carruagens, com os cocheiros dormitando às boleias, enquanto pessoas curiosas da vizinhança, homens e mulheres, aglomeravam-se, de olhos acesos, jorrando em massa para a escada, cujos degraus de cimento branquejavam à luz, como mármore. Via-se daí, talhado na vasta, artística porta ogival, um recanto feérico do salão, todo constelado de fisionomias límpidas e inefáveis, e toaletes opulentas, que se estadeavam aristocraticamente, como numa corte, em grandes festas imperiais, ao reverbero vivo dos espelhos de Veneza e às chamas amarelas dos lustres de prata. Uma estreita varanda, estilo teutônico colonial, corria a meio do prédio, numa faixa lateral, dando para o grande jardim gradeado, com flores e maciços de folhagens aromando o ar, malhado aqui e ali de claridades lácteas, despejando-se das janelas e portas, como placas de luar. Estava cheia de homens, que cervejavam, de pé, ou estirados sobre cadeiras confortáveis, numa palração animada, entre as folhas finas dos crótons de vasos e balões luminosos de papel, pendendo ao beiral, numa longa enfiada colorida, de um efeito chinês de luas pintadas."