Réprobo: um conto de horror retrata a vida de uma família que se muda para uma mansão com má fama, onde começam a acontecer coisas assustadoras e até sanguinárias. Não contarei mais nada para não tirar o sabor da história. Que os sustos brotem automaticamente. Prepare-se para ter pesadelos!
Um aperitivo:
Mas, naquele momento, um corvo se chocou contra um dos vidros de uma das janelas da suntuosa sala, trincando-o. Automaticamente, Mary levou a mão ao peito, soltando um grito de susto. Num abrir e fechar de olhos, veio outro corvo e despedaçou o vidro, caindo em meio aos estilhaços, que se esparramaram pelo piso, morto. Dali em diante, como num feito irreal, quimérico, dezenas deles começaram a se lançar contra a janela, quebrando-a, invadindo o cômodo.
As aves começaram a voar em círculo fechado, no alto, nas proximidades do teto. Algumas, machucadas, caíam ao chão, debatendo-se. Outras voavam e pingavam sangue pela sala. Crocitavam ensurdecedoramente, como se estivessem tomados por determinada e incontrolável fúria.
O pavor dentro de Mary cresceu aceleradamente, deixando-a sem saber quais providências tomar. Não devia ter rido. Não devia ter duvidado e tampouco insistido. Que droga era aquela?!
Matwey estava ciente de que se tratava de um aviso: o mal que dominava aquele local estava de olhos bem abertos, só à espreita. Acordara. Estava com as rédeas na mão, dando pequenos gingados a seu modo. Quando ele pensou em dar o fora dali, num rápido corrupio, com um corvejo agudo, uma das aves mergulhou e se lançou contra o seu rosto enrugado; o bico preto e pontudo querendo arranjar um furo bem no meio do espaço compreendido entre seus olhos. Antes de ir ao chão, motivado pelo susto incontido, o pintor se projetou para trás e bateu com as costas magras no aparador sobre o qual havia dois grandes vasos de porcelana. Como a peça da mobília estava afastada alguns centímetros da parede, ela deslizou com um rangido áspero pelo piso e, com o baque, acabou por romper a descompassada obra de arte pendurada ali atrás. O quadro, emoldurado, despencou sobre os vasos e esparramou fragmentos do caixilho por boa parte do cômodo. Para Matwey, aquele pareceu o fim.
Um aperitivo:
Mas, naquele momento, um corvo se chocou contra um dos vidros de uma das janelas da suntuosa sala, trincando-o. Automaticamente, Mary levou a mão ao peito, soltando um grito de susto. Num abrir e fechar de olhos, veio outro corvo e despedaçou o vidro, caindo em meio aos estilhaços, que se esparramaram pelo piso, morto. Dali em diante, como num feito irreal, quimérico, dezenas deles começaram a se lançar contra a janela, quebrando-a, invadindo o cômodo.
As aves começaram a voar em círculo fechado, no alto, nas proximidades do teto. Algumas, machucadas, caíam ao chão, debatendo-se. Outras voavam e pingavam sangue pela sala. Crocitavam ensurdecedoramente, como se estivessem tomados por determinada e incontrolável fúria.
O pavor dentro de Mary cresceu aceleradamente, deixando-a sem saber quais providências tomar. Não devia ter rido. Não devia ter duvidado e tampouco insistido. Que droga era aquela?!
Matwey estava ciente de que se tratava de um aviso: o mal que dominava aquele local estava de olhos bem abertos, só à espreita. Acordara. Estava com as rédeas na mão, dando pequenos gingados a seu modo. Quando ele pensou em dar o fora dali, num rápido corrupio, com um corvejo agudo, uma das aves mergulhou e se lançou contra o seu rosto enrugado; o bico preto e pontudo querendo arranjar um furo bem no meio do espaço compreendido entre seus olhos. Antes de ir ao chão, motivado pelo susto incontido, o pintor se projetou para trás e bateu com as costas magras no aparador sobre o qual havia dois grandes vasos de porcelana. Como a peça da mobília estava afastada alguns centímetros da parede, ela deslizou com um rangido áspero pelo piso e, com o baque, acabou por romper a descompassada obra de arte pendurada ali atrás. O quadro, emoldurado, despencou sobre os vasos e esparramou fragmentos do caixilho por boa parte do cômodo. Para Matwey, aquele pareceu o fim.