Célia Borges Universidade Federal de Juiz de Fora Santa Teresa representou para inúmeras mulheres na Península Ibérica e nas áreas coloniais um modelo de santidade em seu tempo e nos séculos posteriores. A sua busca espiritual e a sua luta obstinada pela edificação de mosteiros, a fim de cumprir a reforma na Ordem do Carmo, serviram de bússola espiritual para inúmeras pessoas. Contribuíram para este processo a sua auto-biografia e outros escritos por ela produzidos, que traduzem experiências no caminho da alta espiritualidade e se tornaram comuns em seu tempo, e no decorrer dos séculos XVII e XVIII, principalmente para as mulheres que aspiravam a uma religiosidade mais intimista. No Brasil colonial do séc. XVIII, Jacinta de São José, acompanhada por um grupo de mulheres, aventurou-se no caminho da santidade e empenhou-se em seguir os exemplos da Santa de Castela. Este trabalho propõem-se, pois, mostrar por um lado o significado do modelo de santidade na Península, a sua irradiação interna e além-fronteiras, que possibilitou a algumas mulheres novas experiências no campo religioso e, por outro, mostrar como o braço da Inquisição inibiu e controlou as incursões pelo caminho da espiritualidade mística.
Santa Teresa e a espiritualidade mística: a circulação de um ideário religioso no mundo Atlântico
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