Shantaram
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É a capacidade de perdoar que nos torna o que somos. Sem o perdão, nossa espécie teria se aniquilado em infindáveis retaliações. Sem o perdão, não haveria história. Sem essa esperança, não haveria arte, pois toda obra de arte de certa forma é um ato de perdão. Sem esse sonho, não haveria amor, pois cada ato de amor de certa forma é uma promessa de perdão. Nós vivemos porque podemos amar, e amamos porque podemos perdoar.
O amor é a busca apaixonada por uma verdade além de si mesmo e, uma vez que se tenha sentido de uma forma sincera e completa, é eterno. Todo ato de amor, todos os momentos em que o coração se entrega, é uma parte do bem universal. É uma parte de Deus, ou do que chamamos de Deus, e não pode morrer.
O passado se reflete eternamente em dois espelhos: no espelho reluzente das palavras e atos, e no sombrio, cheio das coisas que não fizemos nem dissemos.
Uma das razões pelas quais ansiamos pelo amor e o procuramos tão desesperadamente é porque o amor é a única cura para a solidão, a vergonha e a tristeza. Mas alguns sentimentos calam tão fundo no coração que apenas a solidão pode ajudá-lo a reencontrá-los. Algumas verdades sobre nós são tão dolorosas que apenas a vergonha pode nos ajudar a viver com elas. E algumas coisas são simplesmente tão tristes que só resta à alma chorar por você.
tal liberdade representa um universo de possibilidades. E a escolha entre odiar e perdoar pode se transformar na história de nossa própria vida.
OS INDIANOS são os italianos da Ásia — declarou Didier, com um sorriso sábio e malicioso. — Com toda a justiça, também é possível dizer que os italianos são os indianos da Europa, mas acho que você me entende. Existe muita coisa dos italianos nos indianos, bem como dos indianos nos italianos. São povos da Virgem Maria: exigem uma deusa, mesmo quando a religião não lhes fornece uma. Os homens dos dois países cantam quando estão felizes, as mulheres dançam quando caminham para a loja da esquina. Para eles, a comida é música dentro do corpo, e a música é comida dentro do coração. Os idiomas da Índia e da Itália fazem de cada homem um poeta e criam algo de belo em qualquer banalité. São nações onde o amor — amore, pyaar — transforma, em qualquer esquina, um borsalino em cavalheiro, uma camponesa em princesa, basta apenas que seus olhares se encontrem por um segundo. É o segredo do meu amor pela Índia, Lin, porque meu primeiro grande amor era italiano.
Ninguém mente ou esconde segredos ao cantar, e a Índia é um país de cantores que amam aquelas canções que a gente ouve quando chorar não é o bastante.
Cada dia é a história da nossa vida inteira quando a gente está em fuga. Cada minuto de liberdade é um conto com final feliz.
o teste do chapéu Borsalino verdadeiro é enrolá-lo como um cilindro, transformá-lo em um tubo bem fino e passá-lo por uma aliança de casamento. Se ele sair do teste sem marcas permanentes, se voltar à forma original, se a experiência não danificá-lo, então é um Borsalino autêntico.
Hoje me arrependo, do fundo do coração, de não ter falado. O passado se reflete eternamente em dois espelhos: no espelho reluzente das palavras e atos, e no sombrio, cheio das coisas que não fizemos nem dissemos. Hoje
As pessoas já estão esperando há mais de uma hora. Se você não estivesse conosco, ainda estariam esperando, mas esperando apenas por nada. Esperar por nada é o que acaba com o coração de um homem, não é? Agora
Podemos impedir que os homens sejam maus, mas não podemos obrigá-los a serem bons, não acha?
Mas a alma não conhece as culturas. A alma não tem país. A alma não tem cor, sotaque ou estilo de vida. A alma é para sempre. A alma é uma. E quando o coração tem seu momento de verdade e tristeza, a alma não pode ser silenciada.
Mais que isso, meus olhos eram atraídos por sua beleza encantadora. Eu olhava para ela, uma desconhecida, e a minha respiração ficava difícil. Sentia um aperto no coração, como o peso de um punho. Uma voz em meu sangue dizia sim, sim, sim… As antigas lendas sânscritas falam de um amor predestinado, uma ligação cármica entre almas que estão fadadas a se encontrar, a colidir, a se deixar fascinar mutuamente. As lendas dizem que a pessoa amada é reconhecida na mesma hora, pois é amada em cada gesto, em todas as manifestações de pensamento, em cada movimento, em cada som, e em cada estado de espírito revelado pelo olhar. As lendas dizem que sabemos quem é por causa de suas asas — que só nós podemos ver —, e porque o desejo por ela elimina qualquer outro desejo de amar.