Um País Sem Excelências e Mordomias
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Na Suécia, como em tantos outros países do mundo, a instituição da empregada doméstica não existe.
Sempre que se faz um grande projeto de infraestrutura na Suécia, a polícia cria uma unidade anticorrupção especificamente para acompanhar o projeto de construção. Porque sabemos que há uma grande quantidade de dinheiro em jogo, um grande número de fornecedores, empreiteiros e funcionários públicos envolvidos, e portanto grandes oportunidades de se cometer atos corruptos.
Platão, há 2.500 anos, já dizia que o castigo dos homens capazes que se recusam a participar das questões governamentais é viver sob o domínio dos homens incapazes.
Sem direito a imunidade, políticos suecos podem ser processados e condenados como qualquer cidadão.
UMA CONVERSA COM O DEPUTADO KENT HÄRSTEDT “Não temos luxos supérfluos. Para ter o respeito dos cidadãos que representamos, é preciso usar o dinheiro dos contribuintes de forma sensata. Há pessoas desempregadas e outros problemas em nosso país, e o dinheiro público deve ser usado de forma mais inteligente”. Kent Häsrtedt
Nenhuma lei de transparência tem valor sem uma população vigilante
Os políticos suecos têm o respeito dos cidadãos? KENT HÄRSTEDT: Em geral, as pessoas creem que somos indivíduos confiáveis e honestos. Talvez não aprovem tudo que nós fazemos ou decidimos, mas de modo geral os eleitores acreditam que somos pessoas íntegras. Para isso é importante que nós, deputados, não tenhamos um padrão de vida tão diferente daquele dos cidadãos que representamos. Queremos estar o mais próximo possível das condições em que vivem as pessoas que representamos, embora tenhamos uma vida diferente —
Que futuro vê para o Brasil? HANS BLIX: O Brasil é um país que está flexionando os músculos, que se desenvolve com rapidez e está a caminho de se tornar uma superpotência econômica. Na minha opinião, a missão primordial do país neste processo é erguer as massas da pobreza, por meio de melhores escolas, melhores oportunidades e melhores condições de vida em geral. Penso que, assim como aconteceu na Suécia, o acesso da população a uma educação de qualidade e
Que grau de corrupção o senhor diria que existe na política sueca? HANS BLIX: No século XVIII, tínhamos ainda um certo grau de corrupção, que com o tempo tornou-se cada vez menor. A corrupção é uma deformidade. E é um roubo de fato. É roubar o dinheiro dos contribuintes. Na Suécia pagamos um dos impostos mais altos do mundo, e, portanto, não queremos ser roubados. Isso exige ampla transparência governamental, fortes instituições anticorrupção e uma imprensa ágil. Um
Um povo organizado e harmônico unia-se para corrigir desigualdades de renda e de padrão de vida, e criar uma sociedade nova e mais humana.
O que a senhora acha do fato de trabalhar como vereadora desde 2006 sem receber salário? CHRISTINA ELFFÖRS-SJÖDIN: Acho bom, porque penso que não devemos ter vereadores pagos. Por que não? CHRISTINA ELFFÖRS-SJÖDIN: Porque estamos aqui exercendo a nossa cidadania, em uma atividade que não exige dedicação em tempo integral, e, portanto, não devemos ser pagos por isso. Se pagássemos salários a vereadores, muitos estariam aqui não por causa de um comprometimento para mudar as coisas para melhor, e sim para ganhar dinheiro e fazer carreira. Seria, então, um trabalho. E não acho que ser vereador seja um trabalho.
Um país onde os deputados recebem cerca de 50% a mais do que ganha, em média, um professor primário.
Uma sociedade transparente na qual a corrupção tornou-se a exceção, e não a regra. Onde
Um país onde os deputados recebem cerca de 50% a mais do que ganha, em média, um professor primário. Onde
A Suécia não oferece luxo aos seus políticos. Nessa sociedade essencialmente igualitária, a classe política não tem o status de uma elite bajulada, nem os privilégios de uma nobreza encastelada no poder. Sem direito a imunidade, políticos suecos podem ser processados e condenados como qualquer cidadão. Sem