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    Mãos de Cavalo

    Por Daniel Galera
    Existem 6 citações disponíveis para Mãos de Cavalo

    Sobre

    Mãos de Cavalo começa com capítulos curtos, escritos em terceira pessoa, que tratam de episódios aparentemente díspares: o tombo de bicicleta de um garoto de dez anos numa rua vazia da zona sul de Porto Alegre; uma partida de futebol entre adolescentes do condomínio Esplanada, também na capital gaúcha; e os preparativos de um cirurgião plástico bem-sucedido que, em companhia de um amigo, pretende viajar à Bolívia para escalar o Cerro Bonete, façanha até então inédita. Esses acontecimentos vão aos poucos se conectando no tempo e no espaço dramáticos, e compõem uma delicada trama sobre memória, perda e culpa.

    "É uma síntese de diversas histórias que guardei na cabeça durante anos, mas que vieram se transformando e atualizando ao longo do tempo", diz o autor sobre o processo de criação do livro. "Algumas cenas e personagens têm origem em coisas que imaginava desde os dez ou doze anos de idade, muito antes de sonhar em escrever". Segundo Galera, as primeiras três versões de Mãos de Cavalo foram jogadas fora: "Somente na quarta tentativa encontrei a forma que me pareceu ideal para desenvolver o romance até o fim".

    Esse tom se manifesta numa prosa rica em detalhes, em descrições bem trabalhadas de cenas e atmosferas, nas quais a aparente placidez do cenário reforça a intensidade dos sentimentos dos personagens. Nada é gratuito aqui: numa partida de videogame, num parto sem anestesia, na trilha sonora de uma festa de quinze anos, assiste-se à tumultuada trajetória do protagonista rumo ao cotidiano do mundo adulto, preenchido entre o sucesso profissional e o "piloto automático" de um casamento fora dos planos.

    "O tema principal do livro é a identidade, a obsessão que temos por defini-la e a inutilidade geral desse esforço", diz o autor. "Até que ponto é possível decidir como queremos ser e que imagem os outros terão de nós? Talvez definir isso racionalmente seja tão inviável quanto decidir se queremos ou não amar uma determinada pessoa."

    Diante do impasse, Mãos de Cavalo acena com um desfecho surpreendente num relato em que a tragédia se insinua a cada linha. Como nas clássicas histórias sobre segunda chance, está em jogo a possibilidade de o covarde se transformar em herói, ou de quem sempre se definiu como "solitário e renegado" encontrar uma integração possível com o mundo. O futuro aí apontado não é movido por certezas absolutas, mas pela grandeza de saber quando aceitar ou lutar contra as armadilhas do acaso.

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    Citações de Mãos de Cavalo

    Potosí, que divide o título de cidade mais alta do planeta com Lhasa,

    “Sabe esse jeito que tu tá se sentindo agora?” “Que que tem?” “Eu quero fazer com que tu continue te sentindo assim pelo maior tempo possível.”

    Viver, todavia, não tinha nada de heroico. Aos trinta anos, lhe parecia antes de tudo um constante ensaio pra um heroísmo que nunca chega. Um limbo permanente entre a inocência e o heroísmo, habitado por projeções fantasmagóricas de si mesmo, levemente distorcidas pelo que gostaria de ter sido no passado ou de ser no futuro.

    Ainda amava a Adri, com toda a certeza. Mas era um amor racional. Sabia exatamente por que a amava, e tinha inúmeras razões pra que continuassem juntos. Com ela devia ser parecido. Por uma série de motivos que guardavam pra si, continuam escolhendo, dia após dia, permanecer onde estão.

    Quis saltar da cadeira e abraçar ela com força, mas já havia algum tempo tinha aprendido que abraços resolvem as coisas só temporariamente, depois não são mais lembrados. Abraços são impotentes.

    “Minha vida é como uma dança das cadeiras, só que ao contrário. Cada vez que para a música botam mais cadeiras.”

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