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    Judas

    Por Amós Oz
    Existem 12 citações disponíveis para Judas

    Sobre

    A partir da história de amor entre um estudante e uma mulher misteriosa, Amós Oz questiona a fundação do estado de Israel e as guerras que abalam o Oriente Médio.


    Amós Oz é o mais importante escritor israelense da atualidade. Candidato constante ao prêmio Nobel, fez de sua obra uma reflexão profunda sobre o destino do povo judeu. Quais cicatrizes a história turbulenta do país deixou sobre seus habitantes? Que marcas imprime no indivíduo uma vida atravessada pela guerra? Há solução possível para um conflito que remonta a tempos imemoriais?

    Judas é exemplo claro da densidade de sua obra. O protagonista é Shmuel Asch, um estudante que se vê em apuros no inverno de 1959: sua namorada o deixou, seus pais faliram e ele foi obrigado a abandonar os estudos na universidade e interromper sua pesquisa - um tratado sobre a figura de Jesus sob a ótica dos judeus.

    Passado o desespero inicial, ele encontra morada e emprego numa antiga casa de pedra, situada num extremo de Jerusalém. Durante algumas horas diárias, sua função é servir de interlocutor para um velho inválido e perspicaz. Na mesma casa, vive uma mulher bonita e sensual chamada Atalia Abravanel, com quase o dobro de sua idade. Shmuel é atraído por ela, até que a curiosidade e o desejo transformam-se numa paixão sem futuro.

    Neste romance cheio de lirismo, Amós Oz retorna ao cenário de alguns de seus livros mais apreciados, entre eles Meu Michel e De amor e trevas: a Jerusalém dividida em meados do século XX. Ao lado de seus personagens, Oz é corajoso o bastante para questionar o estabelecimento de um estado para os judeus, com suas consequentes guerras, e se pergunta se seria possível eleger um caminho histórico diferente.

    Como lembra o ensaísta Alberto Manguel, neste livro Amós Oz revolve, com profunda inteligência e paixão, o coração da tragédia palestina.


    ?Mais uma vez, Oz nos dá uma absoluta, necessária obra-prima.? - Alberto Manguel

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    Citações de Judas

    A verdade é que toda a força no mundo não pode transformar uma pessoa que odeia você numa pessoa que gosta de você. Pode transformar quem odeia num escravo, mas não em alguém que goste de você. Nem com toda a força do mundo se pode transformar uma pessoa fanática numa pessoa sensata. E nem com toda a força do mundo se pode transformar quem está ávido por vingança num amigo.

    Os que estão dispostos a mudar, os que têm a força para mudar, sempre serão vistos como traidores pelos que não são capazes de qualquer mudança, que têm um medo mortal de mudanças, não entendem o que é mudança e abominam toda mudança.

    O judaísmo e o cristianismo, e também o Islã, destilam todos eles o néctar da graça, da justiça e da compaixão, mas só enquanto não têm nas mãos algemas, grades, poder, porões de tortura e cadafalsos.

    E nós, nós só temos aquilo que nossos olhos enxergam. E mesmo isso, só de tempos em tempos, e são tempos muitos distantes entre si.

    Os que estão dispostos a mudar, os que têm a força para mudar, sempre serão vistos como traidores pelos que não são capazes de qualquer mudança, que têm um medo mortal de mudanças, não entendem o que é mudança e abominam toda mudança. Shaltiel

    Não nascemos para amar mais do que um pequeno punhado de pessoas. O amor é um evento íntimo, estranho e cheio de contradições, pois mais de uma vez nós amamos alguém por amor a nós mesmos, por egoísmo, por cupidez, por desejo físico, por vontade de dominar o amado e subjugá-lo, ou, ao contrário, devido a uma espécie de desejo de ser dominado pelo objeto de nosso amor, e geralmente o amor se parece muito com o ódio e é mais próximo dele do que imagina a maioria das pessoas.

    “Pois para discutir com Jesus, o nazareno”, disse Wald num lamento, “um homem tem de se elevar um pouco, e não baixar aos esgotos. É claro que se pode, e até se deve, divergir de Jesus, por exemplo na questão do amor universal: será de fato possível que todos nós, sem exceção, possamos amar o tempo todo a todos nós, sem exceção? Será que o próprio Jesus amou a todos o tempo todo? Será que amou, por exemplo, os vendilhões que estavam na entrada do Templo, quando foi dominado pela raiva, foi lá e derrubou, furioso, a mesa deles? Ou quando declarou: ‘Não penseis que vim trazer paz à terra. Não vim trazer paz, mas espada’ — será que esqueceu nesse momento o mandamento do amor total e o mandamento de oferecer a outra face? Ou, também, quando ordenou aos apóstolos que fossem ‘prudentes como as serpentes e sem malícia como as pombas’? E especialmente, como em Lucas, quando ordenou que seus inimigos, que tinham se recusado a aceitar seu reino fossem trazidos a sua presença no mesmo dia e executados ante seus olhos? Onde tinha desaparecido naquele instante o mandamento de amar também — e sobretudo — os que nos odeiam? Pois aquele que ama a todos não ama na verdade a ninguém. Ora. Aí está, é assim que se pode discutir com Jesus, o nazareno.

    Ela toda é moldada em razão, mas a razão permanente é na verdade uma terra arrasada? Não é?”

    Em guerras como essa, diz meu pai, uma guerra civil, entre cidadãos, sempre, e em todo lugar, são desarraigadas populações inteiras. Foi assim que aconteceu entre a Grécia e a Turquia, entre a Índia e o Paquistão. Entre a Polônia e a Tchecoslováquia e a Alemanha.

    O grande mal é que os oprimidos anseiam secretamente por se tornar os opressores de seus opressores. Os perseguidos sonham em ser perseguidores. Os escravos sonham ser senhores.

    O que mais me resta fazer? Amar vocês, homens, é impossível. O mundo inteiro está em suas mãos já faz milhares de anos, e vocês o transformaram numa coisa horrorosa. Num matadouro. Talvez somente usar vocês. Às vezes até mesmo ter pena de vocês e tentar consolá-los um pouco. De quê? Não sei. Talvez da invalidez de vocês.”

    Nem uma só vez no decorrer daquelas sete horas o crucificado tinha chamado pelo pai. Repetidas vezes implorava Mãe, Mãe. Implorou por ela durante horas. E somente na nona hora, no último minuto, exatamente quando expirava, voltou atrás e clamou de repente pelo pai. Mas mesmo nesse seu último grito não chamou seu pai de pai, mas balbuciou: Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste? Judas soube que com estas palavras a vida de ambos estava acabada.

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