Subo as escadas em meio à chuva, não é a primeira vez, mas pode ser a última por um bom tempo; a porta do farol está aberta, troco o fusível rapidamente e a lâmpada volta a funcionar, sento no parapeito, a luz do farol silhuetando minha imagem no mar, pareço um monstro marinho, com fome desembrulho o sanduíche de atum e começo a devorá-lo; a chuva afina, as preocupações, acompanhando, se esvaem, o marasmo me alcança, deixo a dúvida de lado, arranco as botas e passo a balançar os pés gelados na escuridão.
Passa-se muito tempo...
Passa-se muito tempo...