We love eBooks

    Os enamoramentos

    Por Javier Marías
    Existem 11 citações disponíveis para Os enamoramentos

    Sobre

    María Dolz, uma solitária editora de livros, admira à distância, todas as manhãs, aquele que lhe parece ser o ?casal perfeito?: o empresário Miguel Desvern e sua bela esposa Luisa. Esse ritual cotidiano lhe permite acreditar na existência do amor e enfrentar seu dia de trabalho.

    Mas um dia Desvern é morto por um flanelinha mentalmente perturbado e María se aproxima da viúva para conhecer melhor a história. Passa então de espectadora a personagem, vendo-se cada vez mais envolvida numa trama em que nada é o que parecia ser, e em que cada afeto pode se converter em seu contrário: o amor em ódio, a amizade em traição, a compaixão em egoísmo.

    A história, narrada em primeira pessoa por María, sofre as oscilações de seus estados de espírito, de seus ?enamoramentos?, evidenciando que todo relato é tingido pela subjetividade de quem conta.

    Ao mesmo tempo, a presença incômoda dos mortos na vida dos que ficam é o tema que perpassa este romance, à maneira de um motivo musical com suas variações. Para desdobrar e reverberar esse mote, Javier Marías entrelaça a seu enredo referências a obras clássicas da literatura, como Os três mosqueteiros, de Dumas, Macbeth, de Shakespeare, e, sobretudo, o romance O coronel Chabert, de Honoré de Balzac.

    Sustentando com maestria uma voz narrativa feminina, o autor eleva aqui a um novo patamar sua habilidade em nos envolver no mundo interior de seus personagens. Com Os enamoramentos, obra de plena maturidade literária, Javier Marías se reafirma como um dos maiores ficcionistas de nossa época.

    Baixar eBook Link atualizado em 2017
    Talvez você seja redirecionado para outro site

    Citações de Os enamoramentos

    ninguém mais aceita que as coisas aconteçam sem que haja um culpado, ou que exista o azar, ou que as pessoas se enrasquem e se desgracem e rumem sozinhas para o infortúnio ou a ruína.

    A gente se acostuma a viver à espera da oportunidade que não chega, no fundo tranquilos, a salvo e passivos, no fundo incrédulos a que ela nunca vá se apresentar.

    Pelo menos vi uma vantagem nessa perda: eu ficava mais intolerante com as fraquezas, as vaidades e as tolices.

    todo mundo tem direito a pelo menos isso, a imaginar o impossível quando a vigília inicia por fim sua retirada e o dia se encerra.

    A passagem do tempo exaspera e condensa qualquer tormenta, embora no princípio não houvesse uma só nuvem minúscula no horizonte.

    Os mortos só têm a força que os vivos lhes dão, e se eles a retiram…

    É outro dos inconvenientes de sofrer uma desgraça: para quem a sofre, os efeitos duram muito mais do que dura a paciência dos que se mostram dispostos a escutá-lo e acompanhá-lo, a incondicionalidade nunca é muito longa se tingida de monotonia.

    Vamos aprendendo que o que nos pareceu gravíssimo chegará um dia que nos parecerá neutro, apenas um fato, apenas um dado. Que a pessoa sem a qual não podíamos viver e por causa da qual não dormíamos, sem a qual não concebíamos nossa existência, de cujas palavras e de cuja presença dependíamos dia após dia, chegará um momento em que não ocupará nem sequer um pensamento nosso, e quando ocupar, de tarde em tarde, será para um alçar de ombros, e o máximo a que esse pensamento chegará será se perguntar um segundo: “O que terá sido feito dela?”, sem nenhuma preocupação, sem nem mesmo curiosidade.

    ‘O que aconteceu é o de menos. É um romance, e o que acontece neles não tem importância, a gente esquece, uma vez terminados. O interessante são as possibilidades e ideias que nos inoculam e trazem através de seus casos imaginários, nós os guardamos com mais nitidez do que os acontecimentos reais e os levamos mais a sério’.

    Quando uma pessoa deseja alguma coisa por muito tempo, é muito difícil deixar de desejá-la, quero dizer, admitir ou se dar conta de que não deseja mais ou de que prefere outra coisa. A espera nutre e potencializa esse desejo, a espera é acumulativa para com o esperado, solidifica-o e o torna pétreo, e então resistimos a reconhecer que desperdiçamos anos aguardando um sinal que quando por fim se produz já não nos tenta, ou nos dá infinita preguiça atender a seu chamado tardio de que agora desconfiamos, talvez porque não nos convém nos mexer. A gente se acostuma a viver à espera da oportunidade que não chega, no fundo tranquilos, a salvo e passivos, no fundo incrédulos a que ela nunca vá se apresentar.

    O erro de crer que o presente é para sempre, que o que existe a cada instante é definitivo, quando todos nós deveríamos saber que nada o é, enquanto nos restar um pouco de tempo.

    eBooks por Javier Marías

    Página do autor

    Relacionados com esse eBook

    Navegar por coleções